Sete segundos de silêncio
Foi assim que eu aprendi a contar. Sete segundos bastavam pra me acalmar. Sete segundos de silêncio. É impressionante como sete míseros segundos podem durar tanto. Claro que só valeriam se eu não fosse interrompido, assim, sete segundos viram nove, quinze, vinte e... -Filho, pode buscar um copo d'água? -Claro. Sete passos, cinco segundos, -obrigada, filho. Sirene, relógio de parede, telefone, -alô. Os finais de semana em casa são sempre assim. Três, nove, onze, dezessete, vinte e quatro segundos... calma, calma.
Sete segundos de silêncio ou uma cortina de plástico bege, dois itens que evitam que eu enlouqueça neste lugar. -Quem tá tomando banho? -Eu. -Demora? -Já saio. As vezes nenhum, cortina ou siêncio prevalecem. Respira. Sai daí, vai embora, abandona o navio! O navio já te abandonou. 1, 2, 3, 4, 5... cachorro. Se troca, escritório, rua. Aqui não há cortinas nem um segundo de silêncio, nenhum rosto conhecido, ainda melhor: silêncio absoluto, só eu. Vinte minutos d'eu comigo mesmo...
buzina.
Doce ilusão.
Sete segundos de silêncio ou uma cortina de plástico bege, dois itens que evitam que eu enlouqueça neste lugar. -Quem tá tomando banho? -Eu. -Demora? -Já saio. As vezes nenhum, cortina ou siêncio prevalecem. Respira. Sai daí, vai embora, abandona o navio! O navio já te abandonou. 1, 2, 3, 4, 5... cachorro. Se troca, escritório, rua. Aqui não há cortinas nem um segundo de silêncio, nenhum rosto conhecido, ainda melhor: silêncio absoluto, só eu. Vinte minutos d'eu comigo mesmo...
buzina.
Doce ilusão.




