deep blues

6.19.2007

Sete segundos de silêncio

Foi assim que eu aprendi a contar. Sete segundos bastavam pra me acalmar. Sete segundos de silêncio. É impressionante como sete míseros segundos podem durar tanto. Claro que só valeriam se eu não fosse interrompido, assim, sete segundos viram nove, quinze, vinte e... -Filho, pode buscar um copo d'água? -Claro. Sete passos, cinco segundos, -obrigada, filho. Sirene, relógio de parede, telefone, -alô. Os finais de semana em casa são sempre assim. Três, nove, onze, dezessete, vinte e quatro segundos... calma, calma.

Sete segundos de silêncio ou uma cortina de plástico bege, dois itens que evitam que eu enlouqueça neste lugar. -Quem tá tomando banho? -Eu. -Demora? -Já saio. As vezes nenhum, cortina ou siêncio prevalecem. Respira. Sai daí, vai embora, abandona o navio! O navio já te abandonou. 1, 2, 3, 4, 5... cachorro. Se troca, escritório, rua. Aqui não há cortinas nem um segundo de silêncio, nenhum rosto conhecido, ainda melhor: silêncio absoluto, só eu. Vinte minutos d'eu comigo mesmo...

buzina.

Doce ilusão.

1.23.2007

esperança

sabe o que é esperança?

a esperança é uma formiguinha.

esperança é a formiguinha que fica no açúcar, ou envolta do seu copo de refrigerante.

esperança é aquela formiguinha que fica no açúcar, ou envolta do refrigerante, que fazemos de tudo pra ela nunca chegar lá.

esperança é aquela formiguinha que deixamos morrer de fome, ou matamos com nossos monstruosos dedos sem nem perceber.



mas sempre aparece outra.

puta, mas que merda!

1.18.2007

[#]

pois se estás com ele, fica bem, seja ele alguém, seja ele algo. pois que esteja sempre bem, porque você merece tudo de bem. quisera eu ser o ele, fosse eu teu cachorro, fosse eu teu lençol.
pois fica bem com ele.

e quando ele não a fizer completa mais, ou ele for algo, e esse algo couber na tua vida junto comigo, quisera eu ter uma chance, só uma chance de ser teu, e fazer todo o bem que eu um dia imaginei te fazer.

e porque você?
porque sem você eu não ouviria o som do vento e não voaria alto. se você não fosse minha e só minha em meio aos meus devaneios, não seria eu tamanho nefelibata. sem você não há música. sem você não há mesmo som, não há gosto nem há cor.

porque você é o sol. porque você é o som.

1.15.2007

e se voce dissesse agora
"vem cá querido"
eu nem me moveria,
estaria aí no piscar
desses seus olhos
que me ardem

ai, como me dóia
sua boca assim longe
os teus cabelos arrumados
o seu silêncio distante.

5.20.2006

em branco.

vai mas fica.

fica bem, e fica muito bem, você merece tudo de bem.

vai mas fica, fica comigo, com a imagem que fizemos juntos naqueles dias de verão e outono. fica com a inocência daquela paixão, ignorante de um fim, porque toda felicidade ignora o fim.

pode ser o fim dela, mas ela existiu. e foi esse o propósito dela na nossa vida.

vai mas fica com um sorriso de lado quando lembrar daquela tarde de terça feira, tão preguiçosa, ignorante do labor e da dor que viria logo, tão logo.

eu vou praquele canto, lembrar quem sou, o que quero, vou pra este canto, pra esquever bobagens e derramar sentimentos em letras, até queimar o papel.

vou que vou, junto dos que são ignorantes da felicidade e lembram qual é o fim. porque quem sabe do fim, jamais pode ser feliz.

e denovo, a monstruosa página em branco vai se preenchendo diante da minha vista, que aliviada, avista o fim de uma folha e se aterroriza com o branco da próxima.



*imagem sumariamente
obrigado pela força, magdalena.

5.16.2006

im fine without you.



eu lamento.


e por lamentar quero que essa situação mude.

enquanto houver vontade, haverá esperança.

e eu quero tudo denovo. tudo o que é bom.

nunca é uma palavra inexistente no meu vocabulário.
mas pra tudo existe exceção.

eu nunca deixei nem vou deixar de te amar.

5.04.2006


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enquanto todo mundo só tem olhos pros olhos, ela tem olhos pra boca.
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abocapop.jpg
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